Manutenção locatícia: quem paga o quê e como evitar prejuízo
A divisão de responsabilidades entre proprietário e inquilino, o que fazer em urgências e como a manutenção preventiva protege o valor do imóvel.

Depois do aluguel em atraso, manutenção é o assunto que mais gera atrito na locação. Quase sempre por um motivo simples: ninguém combinou antes quem paga o quê.
Dor 1: "Isso é meu ou do proprietário?"
A régua geral é a distinção entre manutenção estrutural e desgaste de uso.
É do proprietário (locador):
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Problemas estruturais: infiltração, telhado, fundação, rede elétrica e hidráulica antigas.
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Substituição de itens que chegaram ao fim da vida útil (aquecedor velho, fiação deteriorada).
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Taxas extraordinárias de condomínio (obras, pintura de fachada, troca de elevador).
É do inquilino (locatário):
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Uso e conservação: lâmpadas, resistência de chuveiro, vedações, pequenos reparos.
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Danos causados por uso indevido ou descuido.
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Desentupimento provocado pelo uso, limpeza e taxas ordinárias de condomínio.
Solução: anexar essa divisão ao contrato, em linguagem simples. Uma tabela de uma página resolve 80% das discussões futuras.
Dor 2: "A vistoria não registrou nada"
Sem registro de entrada, todo defeito vira discussão de versões na saída.
Solução: vistoria fotográfica ambiente por ambiente, com data, incluindo estado de pintura, pisos, esquadrias, torneiras, quadro elétrico e eletrodomésticos entregues. Ambas as partes assinam. Na saída, compara-se item por item, descontando desgaste natural.
Dor 3: "Chamei e ninguém resolveu"
Demora em vazamento ou pane elétrica transforma reparo barato em obra caríssima.
Solução: um fluxo combinado por escrito:
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Solicitação sempre por canal registrado (mensagem ou e-mail), com foto.
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Prazo de resposta definido: 24h para urgências (água, gás, energia, segurança) e até 7 dias para os demais casos.
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Em urgência não atendida, o inquilino pode executar o reparo e apresentar nota fiscal para reembolso ou abatimento — desde que previsto no contrato.
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Todo reparo pago pelo proprietário exige orçamento aprovado antes da execução.
Dor 4: "O imóvel se desvaloriza a cada contrato"
Reagir só quando quebra é o modelo mais caro de manutenção.
Solução: um calendário preventivo simples.
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Semestral: limpeza de calhas e ralos, verificação de vazamentos, revisão de vedação de box e janelas.
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Anual: revisão elétrica e hidráulica, checagem de infiltrações, manutenção de aquecedor e ar-condicionado.
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A cada troca de inquilino: pintura, revisão de fechaduras, teste de todas as tomadas e torneiras.
Reservar de 1% a 2% do valor anual do aluguel para manutenção evita decisões apressadas quando algo falha.
Dor 5: "Fiz uma reforma e não fui reembolsado"
Benfeitoria feita sem autorização geralmente não gera direito a indenização — e pode ter de ser desfeita.
Solução: qualquer alteração além do reparo simples precisa de autorização por escrito, com definição prévia sobre indenização, abatimento no aluguel ou permanência no imóvel ao fim do contrato.
Checklist rápido
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Tabela de responsabilidades anexa ao contrato.
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Vistoria de entrada e saída com fotos datadas.
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Canal único e prazos de atendimento definidos.
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Calendário preventivo semestral e anual.
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Reserva financeira para manutenção.
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Autorização escrita para toda benfeitoria.
Manutenção bem combinada custa menos, evita conflito e mantém o imóvel alugado por mais tempo pelo preço certo.
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